1 de abril de 2010

COMUNICADOS APE

Os Comunicados do Projeto APE que contemplem orientações com vistas ao desenvolvimento de seu escopo por meio do trabalho dos supervisores e monitores, serão postados em nosso blog visando facilitar a visualização e acesso aos mesmos.


COMUNICADO - 13 de Janeiro 2010
ASSUNTO: Proposta de trabalho para Monitores Educacionais

Prezadas Coordenações Regionais do Programa Escola da Família,


Em decorrência do planejamento das ações do Projeto para 2010, informamos que os monitores educacionais deverão realizar levantamento dos equipamentos sociais de sua região, conforme segue:

1) Realizar pesquisas: internet, visitas, livros, guias, catálogos, dos equipamentos sociais existentes no entorno das unidades escolares da Diretoria de Ensino;


2) Após levantamento das instituições (hospitais, ONG’S, Faculdades, Associações, Clinicas, Cooperativas, Parques, etc), efetuarem visitas e/ou contato telefônico/email para verificação do serviço prestado pelo mesmo;


3) Elaborar cadastro das instituições que possam contribuir como rede de proteção (prevenção, diminuição da vulnerabilidade, assistência, lazer) à comunidade;


4) Enviar cópia dos cadastros anexada ao relatório mensal (mês Janeiro);


5) A atividade deverá ser realizada pelo grupo de monitores e gerar, para encaminhamento, um documento único.


Encaminhamos anexo, o modelo de relatório de visita/parceria
(o documento consta no Caderno do Monitor - págs 41 a 81).


                      
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                  COMUNICADO APE n.º 04/2010 - 12 de fevereiro de 2010



ASSUNTO: Ação uso abusivo de álcool e drogas

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Prezado (a)s Monitores Educacionais do Projeto APE,

Boa tarde!

Visando o incremento de nossas ações em saúde e prevenção e atendendo ao cronograma 2010 - temos de 16 a 20 de Fevereiro a semana de prevenção ao uso abusivo de álcool e drogas – encaminhamos uma série de instrumentos para a implementação das ações APE sobre o tema.

O material contém:

1) (1) texto conceitual com diretrizes para o trabalho sobre álcool e drogas;

2) (1) texto informativo sobre os tipos de usuários de drogas;

3) (1) artigo sobre o tema publicado na Revista Pedagogia & Comunicação;

4) (1) texto com sugestões de atividades para abordar o tema com os jovens;

5) (1) Plano de ação – roteiro sugestivo para a implementação do trabalho;

6) (1) Sugestão de dinâmica;

7) (1) Bibliografia utilizada;

8) (4) arquivos em JPEG com imagens e texto para divulgação do trabalho APE.

Os arquivos em JPEG serão encaminhados separadamente.

Vocês irão perceber que os textos se complementam, assim, esperamos que a leitura do material seja completa.

Abaixo sequência do material encaminhado:

Texto conceitual para o trabalho sobre o tema do uso abusivo de álcool e drogas


Introdução

Nunca existiu uma sociedade abstêmia, ou seja, sem drogas.


Ao percorrermos a história da civilização, encontramos a presença de drogas, desde os primórdios da humanidade, inseridas nos mais diversos contextos: social, econômico, medicinal, religioso, ritual, cultural, psicológico, estético, climatológico e mesmo militar. O consumo de drogas deve, portanto, ser considerado como um fenômeno, especificamente humano, isto é, um fenômeno cultural: não há sociedade que não tenha as suas drogas, recorrendo a seu uso para finalidades diferentes, em conformidade com o campo de atividades no qual se insere. Alguns autores opinam que a história do homem é aquela das drogas que consome. (BUCHER, R. 1988).


Partindo desta premissa, o profissional deverá também observar e compreender que os adolescentes influenciam e são influenciados por diversos fatores reconhecidos como capazes de impactar, num maior ou menor risco, para problemas com uso abusivo de drogas. São eles: a família, a escola, o contexto social, os amigos, a mídia, aspectos psicoemocionais, biológicos – características individuais- e outros. Ou seja, o adolescente não é passivo diante destas influências, e nenhum destes aspectos isoladamente é capaz de determinar se um jovem irá ou não ter problemas de dependência química (Oetting et al., 1998).


Portanto, trabalhar com este tema exige um olhar amplo e não determinístico de causa e efeito. Alguns desses fatores se referem a características dos indivíduos; outros, ao seu meio microssocial e outros, ainda, a condições estruturais e socioculturais mais amplas (Zweig et al.,2002), mas, geralmente, estão combinados quando uma situação considerada social, intrapsíquica e biologicamente perigosa se concretiza.


Nosso olhar para o trabalho de prevenção ao uso indevido de álcool e drogas

O trabalho educativo com o tema drogas deve considerar ainda, que essas substâncias já fazem parte do universo adolescente e jovem, senão no uso, pelo menos no seu círculo social ou em seus temas de interesse. Este fato isoladamente, não significa que um jovem irá ter problemas de uso abusivo de álcool e drogas.


Uma preocupação básica da educação para a saúde seria, pois, discutir com os adolescentes os riscos associados aos comportamentos nos quais se engajam (JESSOR, 1991), mas tendo o cuidado de não desconhecer o lado prazeroso desse engajamento. A necessidade de se olhar os dois lados, o do desejo e o do dano, no caso do uso de drogas, é fundamental para se criar um ambiente favorável ao debate.


É preciso não se esquecer que as drogas cumprem funções importantes para os adolescentes, tanto do ponto de vista pessoal quanto social. Pesquisas mostram que os comportamentos de enfretamento de risco são funcionais, intencionais, instrumentais e dirigidos para o desenvolvimento normal do adolescente. Fumar, beber, dirigir perigosamente ou exercer atividade sexual precocemente podem ser atitudes tomadas pelo jovem visando a ser aceito e respeitado pelos pares; conseguir autonomia em relação aos pais; repudiar normas e valores da autoridade convencional; lidar com ansiedade, frustração e antecipação do fracasso; afirmação rumo à maturidade e à transição da infância para um status mais adulto. Não há nada de perverso, irracional ou psicopatológico nesses objetivos: eles são característicos do desenvolvimento psicossocial.

Ter este conhecimento é importante para planejar as estratégias do trabalho em prevenção ao uso abusivo de álcool e drogas, reconhecer a complexidade dos fatores envolvidos nos ajuda a evitar a armadilha de campanhas simples, como: “diga não às drogas”. Nosso trabalho precisa contribuir para que o jovem vislumbre e reconheça alternativas saudáveis e prazerosas às drogas, além do risco vinculado ao uso.


Nosso trabalho visa o fortalecimento do jovem, sua valorização, o exercício do pensamento crítico, o protagonismo juvenil, o projeto de vida, o oferecimento de informações consistentes sobre o assunto, e confiança no potencial destes, em fazer escolhas positivas para suas vidas.


O educador é responsável por dar espaço para a abertura deste tema e das problemáticas atuais que motivam o uso abusivo por vários indivíduos em nossa sociedade. Deve tratar igualmente, tanto os alunos que nunca fizeram uso, quanto os que possivelmente já experimentaram.



CONCEITOS IMPORTANTES NA PREVENÇÃO AO USO ABUSIVO DE ÁLCOOL E DROGAS


Abaixo listamos uma série de conceitos que permeiam o trabalho sobre o uso abusivo de álcool e drogas. Todos estes podem ser utilizados nas discussões sobre o tema com os adolescentes.

Vulnerabilidade- O conceito de vulnerabilidade acompanha todo trabalho na área da saúde e prevenção, o material apresentado na Orientação técnica sobre o assunto pode e deve ser utilizado na abordagem do tema de uso abusivo de álcool e drogas.

O conceito de vulnerabilidade contém em sua dinâmica aspectos individuais, sociais, institucionais ou programáticos. E contribui para demonstrar, em parte, a complexidade da qual nos referimos acima. Cada individuo, levando-se em conta esta dinâmica, apresentará maior ou menor risco de ser acometido por um agravo a sua saúde.

Os fatores de Risco e de Proteção: servem de base para o diálogo e a discussão sobre o tema de uso abusivo de álcool e drogas. A família, a comunidade, os pares, a escola e a mídia são espaços fundamentais para a construção de risco e de proteção.



Conceito de RISCO – Risco é uma conseqüência da livre e consciente decisão de se expor a uma situação na qual se busca a realização de um bem ou de um desejo, em cujo percurso se inclui a possibilidade de perda ou ferimento físico, material ou psicológico. Segundo grandes filósofos como Heidegger, o risco é inerente à vida (1980), ao movimento, e à possibilidade de escolha. Viver é correr risco e por isso a incerteza é um componente essencial da existência e igualmente do conceito de risco.

A decisão/ escolha pelo uso de drogas implica exposição a riscos (à saúde, à dependência química, à violência, a problemas afetivo-sociais).

O lado negativo do desejo juvenil de obter prazer com o uso de drogas é o risco que ele corre de se tornar dependente e comprometer a realização de tarefas normais do desenvolvimento; o cumprimento dos papéis sociais esperados; a aquisição de habilidades essenciais; a realização de um sentido de adequação e competência e a preparação apropriada para a transição ao próximo estágio na trajetória da vida: o adulto jovem.


Ressaltando a necessidade metodológica de levar em conta a complexidade das formas de adesão ao uso abusivo de drogas na adolescência, alguns autores consideram relevante pensar que há uma estrutura e uma organização destes diferentes fatores, formando uma síndrome do comportamento de risco. Os comportamentos de risco co-variam e estão inter-relacionados. Nessa perspectiva, os esforços preventivos devem visar a modificar as circunstâncias que sustentam tais síndromes: o estilo de vida que sintetiza um padrão organizado de comportamentos inter-relacionados, por exemplo, (Jessor, 1991).


Por isso, quando Projetos como o APE e Programas como o Escola da Familia possibilitam uma intervenção/alternativa ao estilo de vida de uma dada comunidade, proporcionando atividades voltadas à qualidade de vida, estamos atuando preventivamente.



Proteção: significa, sobretudo, oferecer condições de crescimento e de desenvolvimento, de amparo e de fortalecimento da pessoa em formação. No caso brasileiro, a doutrina da proteção integral se encontra no Estatuto Brasileiro da Criança e do Adolescente (ECA), que a resume definindo esse grupo social como: (a) cidadão; (b) sujeito de direitos; (c) capaz de protagonismo; (d) merecedor de prioridade de atenção; e (e) de cuidados.


RESILIÊNCIA: busca-se dar ênfase aos elementos positivos que levam um indivíduo a superar as adversidades.

Embora as definições de Resiliência sejam ainda bastante variadas, toda a discussão a respeito desse conceito está relacionada aos fatores ou processos intrapsíquicos e sociais que possibilitem o desenvolvimento de uma vida sadia, apesar de experiências de vida traumáticas.

Os estudiosos têm identificado três categorias de fatores de proteção em crianças e adolescentes resilientes:


(a) individuais: temperamento que favoreça o enfrentamento do problema, autoimagem positiva e a capacidade de criar e desenvolver estratégias ativas na forma de lidar com problemas. Esses atributos denotam autoconfiança, habilidades sociais e interpessoais.


(b) familiares: que se traduzem em suporte, segurança, bom relacionamento e harmonia com pais e no ambiente de relações primárias;


(c) extrafamiliares: ou ambientais, quando se referem ao suporte de pessoas significativas e experiências escolares positivas (Emery & Forehand, 1996; Werner, 1996; Assis, 1999; Assis & Constantino, 2001). A forma como o indivíduo lida com as adversidades, em psicologia, é chamada coping, termo que agrega o conjunto de estratégias utilizadas pelas pessoas diante de circunstâncias adversas ou estressantes. O coping positivo é construído ao longo do tempo e do processo de crescimento e desenvolvimento individual. Tal como a Resiliência, as estratégias de coping dependem de atributos individuais, familiares e ambientais para se consolidarem no indivíduo.

Uma vez estabelecidas, as estratégias funcionam como importante fator de proteção ao risco, proporcionando Resiliência (Garmezy & Rutter, 1988).


Exemplos:

Em geral as crianças com nove ou dez anos valorizam a companhia dos amigos, as atividades de grupo, o sucesso na escola, a boa relação com os pais. Porém, cada menino ou menina avalia de forma diferente a rejeição dos amigos ou sua exclusão de um grupo. Para uma criança, a experiência da rejeição pode ter efeitos deletérios imediatos na cognição social, na auto-imagem e na autoestima. Para outra, a mesma experiência pode ter efeitos saudáveis no ajustamento de longo prazo, motivando-a a se posicionar de forma a ser aceita no futuro (Parker & Asher, 1987; Tarter et al., 2002).


Os adolescentes que têm objetivos definidos que investem no futuro apresentam probabilidade menor de usar drogas, porque o uso interfere com os seus planos (Kodjo & Klein, 2002). Igualmente, a elevada autoestima, os sentimentos de valor, orgulho, habilidade, respeito e satisfação com a vida podem servir de proteção aos jovens contra a dependência de drogas quando combinada com outros fatores protetores do seu contexto de vida (Hoffmann& Cerbone, 2002).


Sendo assim, conclui-se que crianças e adolescentes que vivem em ambientes familiares ou em comunidades onde há uso abusivo de drogas e conseguem não se deixar influenciar por esse contexto apresentam características individuais protetoras conjugadas ao convívio com outros adultos cuidadores escolhidos por eles, fora do ambiente familiar. Os programas de prevenção devem levar em conta a importância das atividades de mentores e de outros programas de desenvolvimento da juventude (Kodjo & Klein, 2002), como capazes de contribuir para o desenvolvimento da resiliência.



Redução de danos


A redução de danos surgiu como uma estratégia de saúde para reduzir, de forma prática e imediata, os problemas associados ao uso de drogas e suas consequências adversas, segundo o Guia “Saúde e Prevenção nas Escolas” – 2006, sem necessariamente, diminuir ou interromper o seu consumo.


Reconhecendo a dificuldade da interrupção do consumo de drogas por uma pessoa dependente, a estratégia de redução de danos se apóia nas seguintes ideias:

1) Sua condição de usuário de drogas é respeitada;

2) Se você não consegue parar de usar drogas, seria bom que não usasse por via injetável;

3) Se você não consegue parar de usar por via injetável, seria bom que não compartilhasse seringas e demais equipamentos com outras pessoas;


A Redução de Danos planeja escalas de prevenção de danos à saúde que procuram dar conta das diferentes situações a que estão expostos os usuários.


A utilização de programas de Redução de Danos pode reconsiderar não apenas a autonomia e a dignidade do usuário de drogas, mas respeitar o seu momento e o seu movimento em direção à construção de um autocuidado e, portanto, de uma auto-estima e prevenção com relação a atitudes mais nocivas e letais contra a sua própria vida.


No Brasil, a redução de danos é promovida pelo Ministério da Saúde como uma estratégia para o enfrentamento da epidemia de Aids entre os usuários de drogas injetáveis.


Em muitas cidades, como em Santos - SP, a atuação adotando esta metodologia pôde minimizar os efeitos da proliferação do HIV/aids entre a população usuária de drogas injetáveis e entre os grupos a eles ligados em redes de relacionamento afetivo e sexual.


Aplicabilidade:

No entanto, o conceito de redução de danos pode ser aplicado a diferentes contextos, sendo uma estratégia importante no trabalho em prevenção. Por exemplo, diante da realidade de consumo de álcool pelos jovens podem-se criar formas de reduzir os danos causados pela bebida. A campanha “motorista da vez” vinculada ao “se beber não dirija” está associada ao conceito de redução de danos.


Sugerir a ingestão de água entre um copo e outro de bebida alcoólica é outra medida que visa minimizar os efeitos nocivos da substância no organismo.


Atualmente, o conceito e as estratégias de redução de danos estão sendo aplicados no enfrentamento de questões tão diversas quanto a prevenção de acidentes, manejo ambiental e defesa civil.


Alguns Mitos sobre a questão das Drogas



Escalada no uso de drogas - vários estudos mostram que o perigo difere de acordo com os indivíduos e seu contexto. Kandel e colaboradores (1978) enfatizam que os adolescentes em certo estágio e freqüência de consumo não necessariamente irão usar drogas mais pesadas. Essa constatação vai contra a ideia de que haveria certa seqüência do consumo de substâncias mais leves rumo às mais nocivas (pesadas).


Alguns estudos chegam a sugerir que cigarro e álcool funcionariam como ponte para um caminho progressivo de envolvimento com drogas cada vez mais pesadas (De Micheli & Formigoni, 2002). Essa teoria tem conseqüência para a prática educativa que busca dissuadir os adolescentes de usar substâncias mais leves, visando a prevenir o uso de outras (Botvin, 1986). No entanto, na atualidade, mesmo os estudiosos que continuam a afirmar o risco de exposição crescente, dizem que a relação é de probabilidade e não causal (Ellickson & Morton, 1999).



Influência dos amigos - a relação entre pares também precisa ser qualificada. Ela se configura como fator de risco quando os amigos considerados modelo de comportamento (Jessor et al., 1995;Hoffmann & Cerbone, 2002; Swadi, 1999) demonstram tolerância, aprovação (Kodjo & Klein,2002) ou consomem drogas (Beman, 1995).


Observam os estudiosos que há uma sintonia, no caso dos pares: os adolescentes que querem começar ou aumentar o uso de drogas procuram colegas com valores e hábitos semelhantes (Tuttle et al., 2002). Ou seja, mesmo no caso de amigos e colegas, a questão não pode ser vista de forma simplista, pois o desenvolvimento de afiliações a pares tolerantes e que aprovam as drogas representa o final de um processo onde fatores individuais, familiares e sociais adversos se combinam de forma a aumentar a probabilidade do uso abusivo (Fergusson & Howood, 1999).


O mito que supervaloriza a influência dos pares durante a adolescência provavelmente decorre, em algum nível, de uma certa desresponsabilização, sobretudo por parte dos pais e dos educadores, de problemas freqüentes nas relações intrafamiliares ou institucionais.É muito difícil, portanto, como já se referiu,tomando por base outros fatores, separar e isolar os efeitos que o grupo de pares tem sobre os adolescentes, (Schor, 1996).


Pais que usam drogas - Hoje se sabe que as relações familiares constituem um dos fatores mais relevantes a ser considerado, mas de forma combinada com outros. Por exemplo, Schor (1996) aponta que não há uma relação linear entre o abuso de álcool dos pais e de seus filhos.

Este autor sugere que são os padrões de comportamento dos pais e as interações familiares e não só o fato de eles beberem, é que são em boa parte responsáveis pelas atitudes dos filhos.


O alcoolismo tem uma influência destrutiva no funcionamento familiar e essa disfunção desempenha um papel mediador na transmissão intergeracional (entre as gerações) de comportamentos. Mas, o que está em questão não é a droga em si, e sim, a relação que o indivíduo estabelece com ela, que, por sua vez, influencia e é influenciada fortemente pelo universo de interações do grupo familiar. (Hawkinset al., 1992; Brown et al., 1993).


O uso ocasional de droga - pode ser entendido como manifestação de uma experimentação apropriada para sua etapa de desenvolvimento e busca de direção para a vida. Estudo de Shedler e Block (1990), ao diferençar entre adolescentes que se abstêm, que experimentam e que abusam de drogas, conclui que, dada a quase onipresença e uma certa aceitação da maconha na cultura dos pares,não é surpreendente que, com 18 anos, indivíduos psicologicamente saudáveis, sociáveis e curiosos se sintam tentados a experimentar o produto.


Não se espera que adolescentes saudáveis abusem da droga, porque apresentam baixa necessidade de utilizá-la para aplacar a angústia emocional ou como meio de compensar a falta de relações importantes. Os autores comparam o sentido do uso da maconha entre adolescentes de hoje com o significado social e psicológico que a bebida alcoólica teve para gerações anteriores (Shedler & Block, 1990). Levando em conta essa reflexão, os esforços preventivos precisam ser muito mais abrangentes e voltados para os precursores dos riscos e da Resiliência (Coie et al., 1993).



• Cada elemento citado no texto de apoio, tais como: a família, a escola, a mídia, etc, podem ser usados em uma dinâmica na qual os jovens separados em grupos, cada um representando um destes contextos, irá elencar os fatores que identificam como protetores e de riscos.



A escola - muito se tem falado também no papel da escola seja como agente transformador, seja como lócus propiciador do ambiente que exacerba as condições para o uso de drogas. Ninguém desconhece que essa instituição é hoje alvo do assédio de traficantes e repassadores de substâncias proibidas, prevendo-se o aliciamento por pares. Pois a escola é o espaço privilegiado dos encontros e interações entre jovens.


No entanto, mesmo no âmbito educacional, existem fatores específicos que predispõem os adolescentes ao uso de drogas, como por exemplo, a falta de motivação para os estudos, o absenteísmo e o mau desempenho escolar (Kandel et al., 1978); a insuficiência no aproveitamento e a falta de compromisso com o sentido da educação; a intensa vontade de ser independente combinada com o pouco interesse de investir na realização pessoal (Friedman, 1989); a busca de novidade a qualquer preço e a baixa oposição a situações perigosas; a rebeldia constante associada à dependência a recompensas (Swadi, 1999).


Por outro lado, a escola é um poderoso agente de socialização da criança e do adolescente, ressaltando-se certa mística e identidade do tipo de educandário com o comportamento daqueles que o freqüentam (Kandel et al., 1978). Por juntar em seu interior a comunidade de pares e por ter fortes instrumentos de promoção da autoestima e do autodesenvolvimento em suas mãos, o ambiente escolar pode ser um fator fundamental na potencialização de resiliência dos adolescentes.



A comunidade - a disponibilidade e a presença de drogas na comunidade de convivência têm sido vistas como facilitadoras do uso de drogas por adolescentes, uma vez que o excesso de oferta naturaliza o acesso (Jessor, 1991; Patton, 1995; Wallace Jr., 1999). Quando a facilidade da oferta se junta à desorganização social e aos outros elementos predisponentes no âmbito familiar e institucional, produz-se uma sintonia de fatores (Kodjo & Klein, 2002), que potencializam as chances de uso pelo jovem.


Para Hawkins e colaboradores (1992), os quatro elementos do vínculo social que se mostram inversamente correlacionados com o uso de drogas são: (a) vínculo forte com os pais; (b) compromisso com a escola; (c) envolvimento regular com atividades da igreja ou de outros movimentos; (d) crença nas expectativas gerais, normas e valores da sociedade.


A ênfase no estilo de vida nunca deve ser traduzida como se esse estilo fosse de responsabilidade exclusiva do indivíduo: tal abordagem tenderia a culpar a vítima (Jessor, 1991).



A Mídia- outra tendência muito comum quando se fala de drogas é a super valorização do papel da mídia como fator de risco. É certo que, sobretudo no caso das drogas lícitas, os meios de comunicação geralmente mostram imagens muito favoráveis. O uso do álcool e do tabaco costuma vir associado, por meio da publicidade, a imagens de artistas, ao glamour da sociabilidade e à sexualidade. Freqüentemente os anúncios glorificam as substâncias, retratando-as como mediadoras de fama e sucesso (Patton, 1995; Kodjo & Klein, 2002; Minayo et al., 1999;(Njaine, 2004).


Mas não se pode, teoricamente, demonizar a mídia: de um lado ela reflete e retrata a cultura vigente. E, de outro, seria um erro menosprezar a capacidade crítica dos jovens e a sinergia de vários outros elementos com os meios de comunicação. Nenhuma propaganda por si só atinge efeito demoníaco de persuasão, quando fatores protetores atuam em direção contrária. O desenvolvimento de um espírito crítico e reflexivo na família, na escola e com os pares serve de base para uma atitude criteriosa do adolescente quanto às mensagens relativas às drogas lícitas, veiculadas pelos meios de comunicação.



Dinâmica da árvore “colhendo os frutos”


Dinâmica da árvore –  adolescência, protagonismo juvenil, o compromisso com o futuro.

Objetivos:

• Favorecer a reflexão acerca dos fatores que interferem em nosso desenvolvimento biopsicossocial;

• Contribuir para a percepção de elementos/situações/aspectos que colaboram positiva ou negativamente para este desenvolvimento;

• Colaborar para a percepção do jovem em relação ao projeto de vida e visão de futuro;

• Contribuir para a percepção de que podemos interferir em nosso futuro mudando padrões de comportamento no presente;

Material:

Cartolina ou papel craft, tiras de papel, fita adesiva ou cola, canetinhas.

Aquecimento:

- Caso o grupo não se conheça pode-se iniciar o trabalho sugerindo que se apresentem e digam uma característica pessoal de que goste.

- Depois diga que serão convidados a participar de uma atividade em grupo que favorece a reflexão sobre a vida e nossa história, passado, presente e futuro.

Ação:

- O(s) grupo(s) deverá desenhar na cartolina ou papel craft uma árvore, grande.

O trabalho acontece em etapas: primeiro irão se concentrar na raiz, depois no tronco e por último na copa. O instrutor dá as informações também obedecendo estas etapas.

Na raiz – coisas e influências relativas á infância (família, escola, amigos, brincadeiras) características desta etapa do desenvolvimento (físicas, sociais, descobertas), coisas que influenciaram. Devem se ater no que for mais importante ou significativo deste período. Estas influências podem ser positivas e/ou negativas.

o Depois de conversarem no grupo, irão selecionar os aspectos e escrevê-los nas tiras de papel, e depois, irão fixá-las na raiz da árvore.

No tronco – adolescência, o que faz parte desta etapa, o que aprendem, quais as influências, características. Devem se ater no que for mais importante ou significativo deste período. Estas influências podem ser positivas e/ou negativas.

o Depois de conversarem no grupo, irão selecionar os aspectos e escrevê-los nas tiras de papel, e depois, irão fixá-las no tronco da árvore.

Copa – os frutos que são os seus sonhos, como imaginam a vida adulta, o que esperam? Com quem irão contar? O que estará acontecendo?

o Depois de conversarem no grupo, irão selecionar os aspectos e escrevê-los nas tiras de papel, e depois, irão fixá-las na copa da árvore.

Fechamento/compartilhamento:

Após cada grupo apresentar sua “árvore” abrir uma roda para discussão buscando que reflitam sobre:

- as relações entre os eventos significativos e os frutos

- a importância de planejar o futuro

- como percebem as ações de hoje em relação ao que colherão no futuro?

- poderão refletir sobre os impactos no corpo, na vida afetiva, social, familiar, etc.

Dicas e sugestões para trabalhar o tema:


• Não cabe ao monitor identificar se o aluno usa ou não alguma droga;

• Levantar com os adolescentes quais as suas perspectivas de vida, motivações e sonhos em geral (projeto de vida);

• Lembrar que em nossa sociedade há o consumo de inúmeros produtos que são danosos à saúde física e ambiental e que as pessoas devem ter mais consciência sobre seus usos e efeitos, buscando a melhoria da qualidade de vida (pode-se realizar o levantamento destes itens e suas consequências);

• Dar espaço a discussões sobre a descriminalização ou legalização de drogas, pois são temas freqüentes na mídia. O monitor pode organizar dinâmicas de levantamento de prós e contras sistematizando a discussão dos jovens e nunca dando seu parecer pessoal ou a posição que julga correta, ou melhor. Dessa forma se evita que os debates sobre esses temas sejam vistos como tabus e incompatíveis com o trabalho do ambiente escolar. Neste sentido, procurar distinguir sempre o significado exato dos termos:


LEGALIZAR: tornar um produto ou substância legal, ou seja, sujeito à utilização, comercialização e venda e, por extensão, à propaganda, sem consistir em crime ou processo penal.

DESCRIMINALIZAR: tornar o ato de consumo ou venda (nesse caso é necessário especificar qual dos dois estaria sendo descriminalizado) de uma substância ou produto possível de ser realizado sem processo penal ou criminalização do indivíduo por tê-lo realizado.


• Cada elemento citado no texto de apoio, tais como: a família, a escola, a mídia, etc, podem ser usados em uma dinâmica na qual os jovens separados em grupos, cada um representando um destes contextos, irá elencar os fatores que identificam como protetores e de riscos.


• Os conceitos de risco, vulnerabilidade, redução de danos e fatores protetores, podem ser apresentados e discutidos entre os jovens;


• Questões como: porque nos expomos a riscos? Riscos visíveis e riscos invisíveis? São questionamentos que podem preceder a confecção de poesias, músicas, discussões sobre projeto de vida (corro riscos hoje porque não vejo o futuro?)

• Trabalhar os fatores de proteção: utilizando o ECA (Estatuto da criança e do adolescente);

• Realizar debates a partir da leitura de textos, crônicas, artigos, etc..


• Utilizar o jogo “valores em jogo” do Instituto Kaplan com o objetivo de fortalecer o jovem diante de situações de risco à saúde. Apresentar e discutir conceito de vulnerabilidade;

• A dinâmica da árvore do prazer (KIT UNICEF) pode ser usada com foco no uso abusivo de drogas. Primeira parte: o que é bom no uso de substâncias que alteram nosso comportamento e nosso organismo? Segunda parte: quais os riscos associados? Terceira parte: como nos proteger? Ou minimizar os danos?(aqui pode-se apresentar o conceito de redução de danos);

• O guia para formação de profissionais de saúde e de Educação – Saúde e Prevenção nas escolas, atitude pra curtir a vida (que vocês receberam no inicio do ano passado), traz dinâmicas e textos complementares ao tema.


• O KIT “Viver de cara Limpa”, disponibilizado pelo PEF aos educadores profissionais também aborda o assunto e traz sugestões para o trabalho;

• Apresentação em Power point dos principais conceitos abordados no texto de apoio;

• Músicas que abordam o tema também costumam ser um ótimo disparador para a discussão e apresentação das informações sobre drogas (tipos, efeitos, tipos de usuários), etc.

As músicas podem ser utilizadas de várias formas: (a) através da audição e leitura para discussão geral ou em grupos (com ou sem roteiro prévio), (b) como clímax para introdução ou finalização de determinado assunto, (c) para fazer aquecimento de uma dinâmica, (d) para motivar dinâmicas corporais, dança, etc.

O trabalho nunca deve ser simplesmente ler ou tocar várias músicas, mas dar espaço para discussão de seu conteúdo pelos participantes. As músicas escolhidas devem corresponder ao gosto musical dos adolescentes em questão, quando isso não for possível, dar mais ênfase à letra. Sempre referenciar o grupo ou autor, época em que escreveu, o que ocorria, etc.


Sugestões de músicas:

o “Fruto Proibido” /Rita Lee (CD Rita Lee e Banda Tutti Fruti);

o “Diversão” /Titãs (CD acústico ou LP Jesus não tem dentes no país dos banguelas);

o “Não me Acabo” /Arnaldo Antunes e Paulo Miklos (CD ou LP do grupo Barão Vermelho, Carnaval);

o “É Proibido Fumar” /Erasmo Carlos (CD do grupo SKANK, Calango;

o “Malandragem dá um Tempo” (Popular para Adelzonilton e Moacyr Bombeiro) - CD do Grupo Barão Vermelho, ALBUM;

o “Cachimbo da Paz” /Gabriel o Pensador (CD Quebra Cabeça);

o “Queimando Tudo” /Planet Hemp (CD Usuário - sobre Tráfico);

o “Faroeste Caboclo” /Legião Urbana(CD/LP Que País é este?)

Outros filmes sugeridos:

o “Nós que Aqui Estamos por Vós Esperamos", diretor Marcelo Masagão- Brasil (1998);

o Vídeos Conferências – videoteca REDE DO SABER (16 anos do Estatuto da criança e do adolescente – Proteja a criança e o adolescente e melhore o futuro);


PLANO DE AÇÃO


SUGESTÃO DE ROTEIRO PARA AÇÃO TEMA USO ABUSIVO DE ÁLCOOL E DROGAS
Pesquisa de campo sobre os equipamentos sociais da região que servem ao trabalho de atendimento ás questões de álcool e drogas, por exemplo: A.A (alcoólicos Anônimos; N.A narcóticos anônimos); C.T.A’s, ONG, etc;

Apresentar à coordenação regional a proposta de ação sobre o tema, que está em consonância com o calendário APE (16 a 20/02 – semana de combate às drogas e Alcoolismo);

Verificar a necessidade de informar aos pais da(s) escola(s) em que a ação irá transcorrer;

Articular com os educadores Profissionais e universitários, dentre outras coisas, checar se há equipamentos disponíveis na U.E para, por exemplo, exibição de vídeo e Power point (se estiver contido em seu plano de ação);

Caso esteja em seu planejamento, estabeleça cronograma de busca por parceiros para abordar o tema;

Use seu horário de trabalho para confeccionar convites e/ou faixas e/ou cartazes convidando a comunidade, vá até a escola um dia antes da ação para divulgar (use o mural), entregue ao (s) educadores profissionais/universitários envolvidos o material de divulgação. Lembre-se de dar destaque à ação que em sua opinião “atrai” o público, como o titulo do filme que será exibido.

Preparar folhetos informativos sobre a rede de equipamentos sociais que atendem a população local;

Para atrair os jovens, propor concursos de paródias e/ou músicas e/ou sambas-enredo sobre o tema, e no dia das primeiras audições (apresentações), iniciar a implementação de seu plano de trabalho sobre o tema;

Compartilhe com os Educadores e PCOPS suas ideias e veja o que mais podem sugerir como forma de atrair os jovens para a escola a fim de abordar o tema;

Promover concurso de fantasias? Oficinas de confecção de gibis sobre o tema? Grafite? Festa “viver de cara limpa?”

Envolver o grêmio estudantil nas escolas onde houver.


Cartazes para divulgação da semana de Prevenção ao uso abusivo de álcool e drogas















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